Saber esperar, saber jejuar, saber pensar: lições de Sidarta (livro de Herman Hess)

Existem livros para tudo e isso não necessariamente é algo bom.

Tive uma professora que dizia que muitos livros de tão irrelevantes ou ruins, não são “escritos”, mas sim “cometidos” pelos autores. E não adianta tentar exterminar da sua mesa ou da sua casa, pois eles se multiplicam como formigas. Sem perceber, em breve estará levando mais um livro cometido para casa que alguém lhe passou ou vendeu.

Na contramão disso, extremo oposto, existem os livros clássicos.

Para citar alguns: O Grande Sertão: VeredasOs MiseráveisMadame BovaryCrime e Castigo, Dom Casmurro, entre inúmeros outros.

Ítalo Calvino, no célebre livro de ensaios Por que ler os clássicos, definiu :

“Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: “Estou relendo…” e nunca ‘’Estou lendo…”

Dito de outra forma, o livro clássico sempre tem algo a dizer, é uma fonte que não se esgota, ele evolui na proporção de nossa capacidade de entendê-lo e permanece nos ensinando algo importante em nossas vidas para sempre.

Para mim, SIDARTA, de Herman Hess, é exemplo poderoso de um livro clássico.

O livro conta a jornada do herói, do próprio Buda, na verdade de todos os heróis que tem que atender um “chamado” e mergulham na escuridão para sair à luz do outro lado.

A historia começa com o personagem que abandona uma vida segura e confortável mas incompleta e infeliz, para atender um chamado para a aventura. Ao atender o chamado (em prol do bem dos outros porque deixa de viver só para si), mergulha na incerteza e no risco, tornando-se herói.

A aventura e o risco justificam a própria vida. Só é possível ver a luz, depois de enfrentar a escuridão. Encontramos ecos da jornada do herói em figuras religiosas mas também em pessoas aparentemente comuns (mas exemplares) e até na cultura pop. Hans Solo, de Guerra nas Estrelas, para ficar em um exemplo.

O que guardo mais forte em Sidarta, é a passagem em que ele diz que na vida, tem que se saber esperarsaber jejuar saber pensar.

Arriscando agora sem refletir muito:

Saber Esperar: excluir a ansiedade do rol das emoções cotidianas, confiar que as coisas darão certo mas no momento certo.

Saber Jejuar: evitar a gula em todos os campos, não consumir ou acumular à toa, ter comedimento nas ações e aspirações, trocar o excesso e procurar a medida necessária das coisas.

Saber Pensar: usar o cérebro e o coração para construir coisas úteis para você e para a humanidade.

Como disse antes, são algumas lições de um livro clássico, no sentido dado por Italo Calvino. Com certeza, cada um pode ter sua própria interpretação sobre o “esperar”, “jejuar” e “pensar”. Em Sidarta tem-se a inspiração. Pense na sua área de atuação profissional: esperar, jejuar e pensar pode levar a interpretações ricas e muito diversas…mas tem que ler o livro para se inspirar, investimento que leva algum tempo e que nada a ver com googlar.

Não conhecia o livro? Pode começar a ler agora ? Está sem tempo?

Sugestão : tente ouvir o livro na forma de audiobook– é também uma bela experiência: https://www.youtube.com/watch?v=gVl8pSMxdUM

2 comentários em “Saber esperar, saber jejuar, saber pensar: lições de Sidarta (livro de Herman Hess)

  1. Já que falou em frases bacanas, lá vai uma pinçada de “Grande sertão – veredas”: o protagonista, Riobaldo, diz em um determinado momento, “O importante é a travessia”.

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