Tecnologias a favor da Vida (aquela baseada em Carbono, lembra ?)

Quem gosta de literatura desenvolve uma imaginação mais aguda para interpretar o mundo e, por consequência, a própria tecnologia. Romances de ficção científica antecipam o futuro e trazem uma ideia do que acontece em várias situações entre homens e máquinas. Por exemplo, o que acontece…:

quando deixamos de ser sujeitos para nos tornarmos objetos (veja Admirável Mundo Novo, romance de 1932, de Aldous Huxley).

quando nos tornamos a mídia da tecnologia (veja 1984, romance de Orson Wells, de 1949)

quando queremos saber demais e brincamos de Deus (veja Frankstein, o Moderno Prometeu, romance de Mary Shelley, de 1818).

O escritor Isac Asimov não tinha nada de pessimista e acreditava que a tecnologia poderia salvar a humanidade de seus problemas. Na serie de livros Robôs (1950), ele elenca as famosas Três Leis da Robótica, preocupado que já estava com as promessas da inteligência artificial:

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.

3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com as duas primeiras leis.

As leis não atendem a todas as situações. Eventos complexos envolvendo tecnologia e pessoas contem ambivalências e ambiguidades, imagine uma guerra com robôs, por exemplo. Descobriremos a verdade inteira depois, talvez com o tempo, e aí mudaremos de opinião, embora possa ser tarde demais. Mas é justo poder mudar de opinião.

Importantes apoiadores da Ciência da Computação, meio “viraram a casaca”: passaram de tecnófilos apaixonados a críticos ácidos em relação a certos avanços da ciência e da tecnologia porque discordaram dos caminhos que seus próprios trabalhos acabaram tomando.

Recupero aqui três exemplos dessas viradas de opinião:

#1 O alemão Joseph Weizenbaum ajudou a desenvolver a área de inteligência artificial e poderia ser considerado o pai dos chatbots. Ele criou o ELIZA, ainda na década de 1960, um dos primeiros programas que imitavam um interlocutor humano, no caso, a fala de um psicoterapeuta. Era só um teste, quase uma brincadeira.

Weizenbaum ficou chocado ao constatar que ELIZA era levada a sério por muitos usuários, fazendo com que abrissem seus corações facilmente para um programa de computador. Ademais, revistas científicas de Psicologia celebraram Eliza como um novo e importante aliado nas práticas de terapia. Isso o levou a pensar sobre as implicações sociais da inteligência artificial e, depois, tornou-se um de seus principais críticos. Trocando a tecnologia pela filosofia, escreveu o livro Computer Power and Human Reason em 1976, em que explica: nunca deveríamos permitir que computadores tomem decisões importantes porque as máquinas carecem de qualidades humanas verdadeiras tais como compaixão e sabedoria. Só quem cresceu em uma família pode saber o que esses termos significam.

#2 Jaron Lanier é um dos pioneiros da realidade virtual. Foi cientista do MIT e hoje se dedica a divulgar as faces ocultas das novas tecnologias e redes sociais. No último livro, conclama a todos para que fechem suas contas em redes sociais enquanto é tempo.

#3 Roger McNamee não é um cientista mas sim um megainvestidor na área de tecnologia. Foi mentor de Mark Zuckerberg. Em seu livro Zucked (essa palavra lembra uma outra? isso mesmo…) compara Facebook e Google a empresas que poluem rios para expandir seus lucros não importando se tornarão a vida das pessoas insuportável.

O romance Frankstein completou 200 anos em 2018.

Agora já fabricamos franksteins que começam a se levantar e sair por aí, na forma de algoritmos que nos perseguem e que, muitas vezes, nem sabemos que existem.

Jovens desenvolvedores: que tal criar tecnologias a favor da vida?

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