Meu gosto musical e porque nunca fui à Disney

O interesse por música e o tipo de música que gostamos vida afora, tem a ver com a infância e com o que ouvimos naquela altura da vida. Quem tem a sorte de ouvir boas músicas na infância e na adolescência, leva isso na alma para sempre. Pelo menos, eu acredito nisso. Na pré-adolescência conheci um tipo de música da qual nunca me separei. E gostar de um tipo de música não é ouvir sempre as mesmas músicas, bom dizer. Mas é buscar em diferentes músicas, um tipo de sentimento que as músicas que você mais gosta são capazes de gerar.

Foram três os discos que descobri nas coisas do meu cunhado e que me marcaram para sempre. Um disco cuja capa continha um vidro com um polvo dentro. A capa era recortada de acordo com a tampa do vidro. Foi assim que conheci o disco Octopus, do grupo Gentle Giant. Uma mistura de música barroca, arranjos vocais complicados, flauta doce, xilofone, solos de guitarra, arranjos diferentes de tudo que poderia existir.

O outro disco tinha na capa a foto de um mendigo. Era o disco Aqualung, do Jethro Tull. A primeira música chamava-se My God e era inacreditável. Fiquei maravilhado com esse disco e tentava adivinhar o que queria dizer as letras. Fiz a minha própria versão de Aqualung emendando as poucas palavras que conseguia entender.

O terceiro disco era uma mistura de música clássica, jazz e rock. Era o disco Islands, do King Crimson. Descobri depois que essa banda era simplesmente a estrela maior da constelação do rock progressivo.

Vieram muitas músicas e bandas depois. Não eram músicas para dançar, nem para cantar…mas davam vertigem de tão boas. Era possível ouvir muitas vezes, cada instrumento podia ser identificado e a música mudava conforme você escolhesse o instrumento.

Aprendi que a música tem o poder mágico de mudar estados de espírito. Assim como uma droga ou remédios, mas são só ondas sonoras. Ou talvez esculturas sonoras capazes de energizar as pessoas.

Esses discos ampliaram o repertorio do que eu conhecia e tinha em casa e que incluía discos excelentes de artistas como Chico Buarque, Milton Nascimento e Tom Jobim. Claro que eu queria fazer parte dessa magia toda e sonhava ser músico.

Tudo isso teve um preço. Afastou-me um pouquinho da cultura da infância dos meus amigos daquela época e até mesmo da cultura de hoje. Se alguns conhecidos me falavam que tinham o sonho de ir à Disney, por exemplo, meu sonho era ir a shows desses músicos. E ouvir músicas diferentes me aproximou de pessoas diferentes e aí veio o interesse também pela literatura e pelo cinema “cabeça”.

Hoje tenho dificuldade quando ando de Uber porque temo ter que ouvir as coisas pavorosas que tocam no radio. Meu lado mais radical não considera isso música. Não é fácil ver um filme inteiro na tv, em geral saio frustrado do cinema e é difícil assistir séries da tv a cabo. Parece tudo muito parecido porque é feito só para agradar. Fiquei um chato ? Um pouco sim… mas sei dos limites que tenho e que sempre posso estar errado.

Quando um adulto me diz que irá à Disney, por exemplo… procuro respeitar, raramente entro em um embate cultural de qualquer tipo. Mas por dentro me choco um pouco, confesso.

Fico com a vontade reprimida de começar alguma coisa que ficou perdida, de apresentar algumas músicas para eles.

Mas sei que a adolescência deles passou e que ficou tarde demais.

Boa viagem para a Disney!

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