Você está perdido(a) se não for capaz de ser autodidata

Autodidata é o sujeito que instrui a si mesmo, que é mestre de si mesmo (segundo o dicionário Aurélio).

E ser autodidata parece fácil. Experimente buscar “como ser autodidata” no Google e retornará 760.000 links. Uma checagem de 10 segundos em cada link levaria quase um ano para visitar todos eles. Pena que sejam receitas de bolo, fáceis de ler mas difíceis de aplicar.

Por que ser autodidata ?

A velocidade com que cresce o conhecimento em todas as áreas impede que os alunos aprendam algo ou que sejam ensinados por professores na mesma velocidade com que são feitas as descobertas novas. Em algumas áreas da educação isso se resolveu muito bem: “deixe tudo como está”. Experimente olhar um livro didático de ensino medio: verá os mesmos assuntos de sua época de cursinho, não importa quando tenha feito. Veja um exemplo de índice de um livro de Física atualmente em uso nas escolas:

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Em outras áreas e outros níveis de ensino, é diferente. A área de TI no outro extremo, não consegue ignorar as mudanças. Quando um livro de TI é publicado isso sinaliza que o assunto se estabilizou, isto é, já está sendo ultrapassado. Por isso, quem quer aprender algo novo nessa área dificilmente compra livros de tecnologia, eles servem bem às bibliotecas e comissões do MEC mas não para quem quer aprender algo novo.

Quem quer aprender algo em TI tem que desenvolver habilidades de autodidata e essa é uma regra de ouro.

Mas a necessidade de ser autodidata não é só pelo fato de que existe um crescimento exponencial de conhecimentos novos em todas as áreas ou que tudo está mudando, mas também porque há muito ruído, baixa qualidade e repetição de informações. Um mesmo assunto está publicado inúmeras vezes e de inúmeras formas diferentes. Para aprender, temos que achar um caminho no meio da mata fechada das fontes repetidas de informação, da profusão de vídeos, textos, foruns, cursos, etc. No meio de tanto ruído, o que vale é aprender a escutar o que interessa, essa seria a habilidade do autodidata nos dias de hoje.

Ao contrário de antigamente, em que os autodidatas passavam o dia enfurnados em bibliotecas públicas, hoje muitos estão em suas casas ou cafés, estudando pela Internet, interagindo e pesquisando em repositorios e em foruns com outras pessoas. O novo autodidata estuda sozinho mas não fica isolado, se não quiser.

E a habilidade de ser autodidata tornou-se essencial. Basta ver como são as vagas de emprego para as funções mais interessantes: exige-se uma base de alguma coisa, mas o principal ainda está por vir e por aprender, e é preciso ser rápido em aprender.

Em algumas empresas de tecnologia, profissionais de TI são contratados apenas porque sabem Inglês e podem ter formação em qualquer área.

A essência parece girar em torno de saber se comunicar, colaborar, ter senso crítico e ser criativo. Temas difíceis de ensinar e aprender.

O ensino de graduação segue sendo importante, mas no sentido de promover a autonomia, o autodidatismo e aproximação profissional com empresas, acredito eu.

E, finalmente, encerrando esta breve reflexão, para evitar o risco da arrogância tomar conta do autodidata bem-sucedido, cabe lembrar a frase de Mario Quintana:

Autodidata é o ignorante por conta própria

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