Informação, conhecimento e sabedoria: quais as diferenças mesmo?

Mudanças tecnológicas radicais envolvem uma reordenação de nossas percepções, da nossa vida social, de nossos hábitos psíquicos e práticas políticas. E as mudanças tecnológicas tem gerado avalanches de informação. O problema é que a maior parte das pessoas considera que quanto mais informação disponível, melhor.

Por isso a ampliação do acesso à informação tem sido apresentada como uma grande solução para a maior parte dos nossos problemas, como se mais informação representasse mais conhecimento ou sabedoria. Isso é falso.

Mudança climática, corrupção dos políticos, criminalidade, violência contra a mulher, abuso de crianças…nada disso tem a ver com informação insuficiente.

Cabe lembrar as diferenças entre informação, conhecimento e sabedoria.

O que é Informação

No século XVIII, antes da energia elétrica, toda informação vinha dos livros e das experiências pessoais…informação servia para analisar, classificar e explicar o mundo. A informação circulava com as pessoas e a velocidade máxima da informação era a velocidade dos trens ou dos cavalos. O século XIX trouxe o telégrafo e a fotografia, e com eles a informação passou a circular muito mais rápido, sem depender de um contexto. Informação sem contexto corresponde a dados. E dados também correspondem a informação-lixo, informação sem propósito ou informação sem sentido. Informações são anteriores aos dados (excluídos aqui, talvez, os dados recebidos pelos cinco sentidos) e os dados foram impulsionados pelas tecnologias de comunicação a partir do século XIX, explodindo como um vulcão que desperta com a Internet no século XXI .

Alguns dos problemas psíquicos mais comuns do século XXI provém do excesso ou da ansiedade de informação. Portanto, informação irrelevante virou também problema de saúde publica. Ver [1].

Mas afinal o que é informação? Entre centenas de definições possíveis, informações correspondem a afirmações sobre o mundo. Informações podem estar erradas e ,geralmente, estão mesmo.

Como nunca tivemos tanta informação como temos hoje, temos agora um volume inédito de desinformação ou informação falsa.

De quanta informação precisamos? Toda informação é bem-vinda? Como validar informação?

Talvez coubesse aos jornais apoiar as pessoas a lidar com excesso de informação e apontar qual informação é verdadeira/falsa ou a qual finalidade dela. Ou então caberia aos professores e às escolas saber os porquês da informação. Com os porquês conseguiríamos distinguir o que é aceitável, estúpido ou convencional…e distinguir o que é verdadeiro do que é falso.

O que é Conhecimento

Uma definição (da filosofia vem a Epistemologia, disciplina dedicada a refletir sobre formas de Conhecimento) é de que Conhecimento é informação organizada segundo algum contexto, tem um propósito e busca compreender algum sentido para o mundo. Quando alguém tem conhecimento, esse alguém consegue dar um sentido para a informação que recebe, é capaz de associar informação a sua vida, e sabe reconhecer quando a informação é irrelevante para ele.

Em um mundo altamente tecnológico, informação pode ser problema quando não se vincula a conhecimento ou sabedoria.

Finalmente…o que é Sabedoria

Sabedoria é a capacidade de saber qual corpo de conhecimentos é relevante para a solução de problemas significativos. É possível haver muito conhecimento sem haver sabedoria. Isso é comum, por exemplo, entre teólogos, cientistas, políticos e empreendedores da área de tecnologia. Conhecimento não julga a si mesmo, conhecimento deve ser julgado por outro conhecimento que é a sabedoria. Qualquer tolo pode ter uma opinião, mas aquilo que se precisa saber para se ter uma opinião é sabedoria. Ter sabedoria significa saber fazer as perguntas certas sobre conhecimento. É reconhecer e questionar as formas novíssimas de dominação a que estamos submetidos, por exemplo.

O problema a atacar no século XXI não deveria ser como gerar mais informação ou como movê-la mais rápido. Deveria ser como transformar informacão em conhecimento e conhecimento em sabedoria.

O resto se resolveria por si mesmo. O gráfico completa as mesmas ideias. [2]

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Quase todas as ideias acima estão no livro de Neil Postman, Building a bridge to the 18th century: how the past improve our future, publicado em 1999.

Hoje construímos sofisticados atalhos tecnológicos em que dados se convertem rapidamente em conhecimento. Postman diria que estamos esquecendo um elo da corrente !

—-

Observação: existem teorias da informação emergindo já há alguns anos, elas discutem design, interatividade e significado… O objetivo aqui foi apenas reafirmar de modo simples, que informação por informação, não resolve nossos problemas.

[1] https://psicologado.com.br/psicopatologia/saude-mental/nada-fica-a-ansiedade-a-atencao-e-o-consumo-da-informacao-digital-um-estudo-teorico

[2] JACOBSON, R. Information Design. MIT Press: 1999.

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