#1 – Educar para a mídia: Demorou!!

A Internet e seus dispositivos são agora o centro da cultura.

Há o que se ensinar/ aprender sobre como usar a Internet ou é só simplesmente “sair usando”?

Apresento três razões que, espero, ajudem a refletir que não se trata só de “sair usando…”.

#1 Tudo que você faz nas redes e escreve em emails pode ficar guardado para sempre. Por isso, estar fora do Facebook pode ser bom para sua carreira e seus negócios. Imagens e opiniões irrefletidas ficarão registradas ali para sempre depois que você apertar <Enter>. _Não acredita?

Lendo sobre bigdata, encontrei a frase. Ver [1] e [2].

“_Não interessa o que faremos depois com os dados, o que interessa é ter

 os dados”

#2 Procurar informações na rede não deveria ser tarefa só dos algoritmos da Google. Aqui entra a necessidade de fuga do pensamento único: basta escolher ou procurar alguma coisa em algum lugar e pronto: vem uma enxurrada de artigos parecidos ou pessoas com o mesmo interesse que os seus. Não aprendemos com as diferenças? Onde fica o pensamento novo ou a diversidade de pensamento quando nos transportam para uma bolha de falsas escolhas? Pensava que a inovação viesse do choque de contrários… Ver[3]

Um algoritmo da Google iria sugerir a você ver a banda Ratos de Porão no Programa do Gugu?

.

#3 Saber a diferença entre o que é um simulacro e o que é algo realUm zumbi Walking Dead se parece com uma pessoa, mas uma pessoa de verdade não se parece com um zumbi! Os simuladores cada vez mais realistas estão confundindo o que entendemos por real. Pessoas não são robôs e robôs não podem ser pessoas. Já pensou nas consequências?

Um adolescente usou um simulador em que mergulhava com tubarões. Seis meses depois dizia que tinha mergulhado com tubarões. Ver [4] e [5]

O uso da Internet deveria ser ensinado e aprendido…a liberdade total da e na rede favorece muito mais as grandes empresas dos que os indivíduos.

Educar para as mídias ou mídia-educação

A discussão sobre educar com as mídias de massa nasceu com o radio e a televisão. Como os anunciantes de produtos desde sempre sustentaram a televisão, quase não há debate sobre os limites da televisão. Agora fenômeno semelhante mas ultra-potencializado se repete.

A pesquisadora Maria Luiza Belloni escreve belamente sobre educação para as mídias e pesquisa sobre isso há muito tempo (escreve também sobre EAD). Ela entende que educar para o uso das mídias é decisivo para a formação da cidadania mas que isso beira o impossível sem o apoio dos professores. Desses pontos emergem grandes debates e discussões. Ver [6].

Para encerrar, de alguma forma, precisaríamos conjugar educação-mídia.

A ideia de educar para as mídias é ensinar como interpretar os símbolos da cultura.

Mas na era da comunicação dominada pela cibercultura, mais do que interpretar os símbolos da cultura, cabe também desafiá-la!

[1] KITCHIN, R. The Data Revolution: big data, open data infrastructures & their consequences. NYC: SAGE (2014).

[2] <https://www.linkedin.com/pulse/arqueologia-da-internet-lembra-daquele-primeiro-site-feito-barbosa/>

[3]

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

[4] <https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/01/06/deputado-posta-imagem-de-game-como-se-fosse-ataque-dos-eua-a-general-do-ira.htm>

[5] <https://super.abril.com.br/tecnologia/a-internet-nos-deixa-estupidos-entrevista-com-mark-bauerlein/>

[6] BELLONI, M. Luiza. O que é mídia-educação. Campinas: Autores Associados, 2005.

3 comentários em “#1 – Educar para a mídia: Demorou!!

  1. MARIA JOSE DA COSTA OLIVEIRA 16 de janeiro de 2020 — 2:27 pm

    Ronaldo, excelente! Uma visão crítica que provoca reflexão. Absolutamente necessária no atual contexto.

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    1. Muito obrigado, Maria José! Estamos ignorando cenários completamente novos! Abraço!

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  2. Não é mesmo incrível que precisamos “ensinar” as pessoas a interpretar símbolos de nossa própria cultura, e que são utilizados à exaustão??? E está certíssimo Ronaldo, utilizarmos o que não compreendemos, de fato requer dos educadores a urgência de métodos que revertam essa situação. Ótimo texto. Obrigada.

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