Quem disse que temos que saber tudo?

Os avanços do conhecimento e da Ciência estão aumentando nossas opções e eliminando muitas dores. Por exemplo:

(1) Você não precisa sofrer tanto quando seu animal de estimação morrer…

  • Uma empresa chinesa já faz abertamente clonagem de animais domésticos. Ver[1]

(2) Quer escolher a cor dos olhos dos seus futuros filhos? Tecnicamente já é quase possível!

  • Um cientista chinês foi condenado por manipular geneticamente embriões humanos para evitar que filhos de portadores de HIV desenvolvessem a doença. Ver[2]

Uma das falas do cientista chinês preso é que mesmo que o proibissem, alguém, em algum lugar estaria fazendo a mesma coisa…

Tais notícias envolvem questões éticas acerca dos limites da Ciência e, de alguma forma, também os limites daquilo que podemos saber. Se soubermos além da conta, faremos algo com isso, e possivelmente, se houver muito dinheiro envolvido, será algo eticamente duvidoso.

Como aprendemos quais são nossos limites ?

Nossa herança cultural está repleta de parábolas sobre aventuras desastrosas a que chegamos quando queremos saber demais. Está na Bíblia (ex: expulsão do Paraíso), na mitologia grega (ex: Prometeu e Pandora) na literatura (ex:Frankstein, Fausto) e mesmo em histórias infantis (ex:Alice no País das Maravilhas). Ver [3].

Conhecimento proibido e crianças

Não se aprende tudo de uma vez em qualquer ordem. Existe algum consenso sobre a idade certa e a sequência indicada em que as crianças devem aprender os conteúdos escolares. Quase todo nosso sistema educacional foi construído em torno disso que é, grosseiramente, o que chamamos de currículo.

Segundo Piaget, o desenvolvimento das crianças se dá por estágios observáveis governados por imperativos biológicos que ele chamou de “epistemologia genética”. O avanço de uma criança de um nível intelectual para outro seguiria um princípio genético em que cada fase tem um desenvolvimento específico. Pular etapas ou inverter etapas, seria atrapalhar o desenvolvimento das crianças desde que nascem até a idade adulta.

O que diferencia crianças de adultos?

Em termos culturais, na infância, as pessoas não tem idade para saber e não podem saber algumas coisas, isto é, existiria uma ideia de vergonha rondando o que entendemos por crianças e adultos. A vergonha diferenciaria as crianças dos adultos. Ver [4].

Não à toa, os filmes pornográficos são rotulados de filmes para adultos ou de temática adulta. Está correto dizer “filmes sem-vergonha”.

Na mesma linha, erotizar ou expor crianças à violência da tv ou da Internet contribui para destruir a cultura da infância. É um exemplo de conhecimento proibido necessário para que se possa manter a integridade do desenvolvimento dos mais novos. Por favor, não se trata de censura mas de bom senso!

Nos tempos em que a conectividade exacerbada domina a vida das pessoas, cabe lembrar que existem limites para o que se deve saber sobre nós e sobre os outros.

Alguns acham que quanto mais sabemos, melhor

Já imaginou saber quando e como vamos morrer?

[1] <https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/09/05/empresa-anuncia-primeira-clonagem-de-gato-na-china.ghtml>

[2] <https://exame.abril.com.br/ciencia/na-china-cientista-que-modificou-dna-de-bebes-e-condenado-a-prisao/>

[3] SHATUCK, R. O Conhecimento Proibido. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

[4] POSTMAN. N. Building a bridge to the Eighteenth Century: how the past can improve our future. NYC. Knopf: 2000.

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