Voltando a acreditar no poder da Internet

A visão desumanizante da tecnologia sempre apareceu forte na literatura e no cinema. Do romance Admirável Mundo Novo até a recente serie Black Mirror, passando pelo filme O Passageiro do Futuro, entre muitos outros livros, filmes e series.

Fomos nos convencendo que realmente somos programáveis, simplorios até, baseados no código binário castigo-recompensa.

E tudo começou com os experimentos do Dr. Watson, um dos fundadores da psicologia comportamental (ver [1]):

Fundamentalmente, meu desejo (…) é obter conhecimento preciso dos ajustamentos e dos estímulos que os provocam. Minha razão geral para isso é conhecer os métodos gerais e particulares pelos quais se possa controlar o comportamento.

(Dr. John Watson)

Quando se descobriu que isso podia render muito dinheiro, o mesmo princípio enveredou para as máquinas caça-níqueis nos casinos, chegando depois às comunidades online e redes sociais. De dez anos para cá, foi ficando difícil negar a manipulação das pessoas como objetivo principal dos algoritmos: assistimos desvios em eleições, roubos de dados pessoais, compartilhamento de fake-news, predição de comportamentos para mais exploração, etc, etc.

Mas alguma coisa ruiu com a crise que estamos vivendo hoje

Pessoas estão trabalhando de casa, sendo mais produtivas e criativas com o uso da tecnologia; máquinas são usadas por pessoas para ações solidárias, produzindo itens de graça para outras pessoas; cientistas de laboratórios de todo o mundo atuam juntos na tentativa de salvar a vida de milhões de pessoas. Fala-se de tecnologia sem se falar tanto do dinheiro associado a ela. Milhares de aplicativos e ferramentas estão liberados para uso de graça.

Alunos de algumas escolas de ensino superior já acham o novo modelo melhor que o presencial tradicional porque conseguem prestar atenção nas pessoas que estão a sua volta e em quem está falando, sem interferências dos celulares e outras distrações. Quando interagem, tem foco e querem aprender de verdade.

O argumento da vida parece que se sobrepôs ao da economia. O papel que atribuíamos à tecnologia parece ter voltado às suas origens, que era o de servir como instrumento para melhorar a vida das pessoas.

A tecnologia, de divindade, voltou a ser escrava e as pessoas reassumiram o controle. Tudo bem, que seja apenas temporário (tomara que não)…

Não é fantástico ?!!

—–

[1] < https://www.ufrgs.br/psicoeduc/behaviorismo/o-comportamentismo-watson/ >

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