Saber esperar, pensar e jejuar: lições de Sidarta para a quarentena

Existem livros para tudo e isso não necessariamente é algo bom.

Tive uma professora que dizia que muitos livros de tão irrelevantes ou ruins, não são “escritos”, mas sim “cometidos” pelos seus autores. E não adianta tentar exterminar da sua mesa ou da sua casa, pois eles se multiplicam como formigas. Sem perceber, em breve estará levando mais um livro cometido para casa que alguém lhe passou ou vendeu.

Na contramão disso, extremo oposto, existem os livros clássicos.

Para citar alguns: O Grande Sertão: VeredasMadame Bovary, Crime e CastigoDom CasmurroO EstrangeiroMoby Dick, entre inúmeros outros.

Ítalo Calvino, no livro de ensaios Por que ler os clássicos, definiu :

“Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: “Estou relendo…” e nunca ‘’Estou lendo…”

Dito de outra forma, o livro clássico sempre tem algo a dizer, é uma fonte que nunca se esgota, e evolui na proporção de nossa capacidade de entendê-lo . Permanece nos ensinando algo importante em nossas vidas para sempre.

Sidarta: minha sugestão de leitura para esta temporada de quarentena

Para mim, Sidarta, de Herman Hess, é exemplo poderoso de um livro clássico.

O livro conta a jornada do herói, do próprio Buda, e de todos os heróis que tem que atender um “chamado” e tem que mergulhar na escuridão para sair à luz do outro lado.

A historia começa com o personagem abandonando uma vida segura e confortável mas incompleta e infeliz, para atender um chamado para a vida real. Ao atender o chamado, mergulha na incerteza e no risco, ilumina-se e passa a iluminar os outros, tornando-se herói. A aventura e o risco justificam a própria vida. Só é possível ver a luz, depois de enfrentar a escuridão.

O que guardo mais forte em Sidarta, é a passagem em que ele diz que na vida, tem que se saber: esperarjejuar e pensar.

Arriscando agora sobre o significado disso sem refletir muito:

Saber Esperar: excluir a ansiedade do rol das emoções cotidianas, confiar que as coisas darão certo mas no momento certo. A crise medonha que vivemos irá passar.

Saber Jejuar: evitar a gula em todos os campos, não consumir ou acumular à toa, ter comedimento nas ações e aspirações, trocar o excesso e procurar a medida necessária das coisas. Estamos aprendendo com a crise que talvez não precisemos de tantas coisas, é possível ter uma vida mais simples.

Saber Pensar: usar o cérebro e o coração para construir coisas úteis para você e para a humanidade. Estamos nos reinventando nestas últimas semanas.

São algumas lições de um livro clássico, no sentido dado por Italo Calvino.

Com certeza, cada um pode ter sua própria interpretação sobre o “esperar”, “jejuar” e “pensar”. Em Sidarta tem-se a inspiração. Mas tem que ler o livro para se inspirar, investimento que leva algum tempo.

Não conhecia o livro? Pode começar a ler agora ? Chegou o momento!

Sugestão : tente pelo menos ouvir o livro na forma de audiobook– é também uma bela experiência: https://www.youtube.com/watch?v=gVl8pSMxdUM

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