A China de 40 anos atrás e a China de daqui a dez anos

Adoramos comida chinesa mas só. Tente lembrar o nome de algum artista chinês, filme ou música…Ok, tem os filmes do Bruce Lee…mas dada a importância da China para o mundo, dizem pouco sobre a cultura chinesa e quase nada sobre aquele país.

Ficamos maravilhados com a grande Muralha mas não sabemos quase nada sobre isso também. Aprendemos que é a única construção humana que pode ser vista do espaço, mas isto é um mito. E foi um astronauta chinês que desmentiu isso: estava no espaço olhando para a Terra e nada de avistar a Muralha. Ver [1]

Sabemos muito pouco sobre a China: como se desenvolveu como nação, como chegou ao que é hoje. Dado que as participações nas grandes guerras foram limitadas e ainda com o regime fechado por tantos anos, a China continuou sendo ignorada no Ocidente por muito tempo.

Isso mudou um pouco no Brasil graças ao cartunista Henfil [1944-1988]. Ele escreveu um livro divertido após visitar a China em 1980. Por meio do livro dá para se ter uma ideia do que foi a “revolução cultural” até aquela época e como isso interferiu decisivamente na vida das pessoas. É uma leitura leve de um assunto pesado, uma visão de cronista temperada com humor.

Na mesma época, um registro audiovisual (mais áudio do que visual) hoje disponível no YouTube mostrou a mesma China do início dos anos 1980: uma serie de concertos do músico Jean-Michel Jarre, um dos pais da música eletrônica. Ele se apresentou em turnê naquele país e foi, talvez, o primeiro artista ocidental a se apresentar na China para um grande público, isso em pleno ano de 1981. Ao assistir, você observa a mudança no público, no início recatado, depois vai ao delírio com a profusão de sons eletrônicos desconhecidos, canhões de luz, efeitos de laser e toda parafernália que eles nunca tinha ouvido ou visto antes. Ver [2].

O concerto disponível é quase um documentário também porque, de forma despretensiosa, mostra um pouco dos costumes dos chineses de duas gerações atrás: seus cinemas, teatros, lojas, mercados… e claro, ruas apinhadas de bicicletas e de pessoas uniformizadas. Jarre ao circular pela China nessa turnê foi filmando, fotografando e conversando com as pessoas.

Talvez sem perceber, fez o registro de uma inflexão histórica:

Nas lojas, o encanto dos chineses com a tecnologia que estava acabando de chegar, o televisor. Olham fascinados para os aparelhos – vislumbram outro mundo, como se olhassem para o futuro.

Os chineses de 1981 estavam maravilhados com a tecnologia e com a cultura ocidental que ela representava…conheceram a televisão com atraso de 20 anos !

China de hoje

Todos sabemos que a China tem censura de todo tipo e que desenvolveu seu próprio Google. As informações restritas que nos chegam dão conta de que foi o primeiro país a ser atingido pela pandemia e o primeiro país a controlá-la.

Autoridades ocidentais confrontam o governo chinês por conta da pandemia: teria sido fabricação chinesa, intencional ou não, vinda de lá. Evidências mostram o contrário: ninguém prova nem que o vírus surgiu na China e muitos menos de que teria sido sintetizado pelo homem. A China é gigante em suas contradições.

O que não dá para negar é que a China está se tornando o país número um do mundo. Em dez anos será, tudo indica.

Em áreas como da Inteligência artificial, já está na dianteira hoje. O mundo todo corre atrás da China nesse campo da tecnologia e em outros que vão sendo divulgados à medida que aprendemos mais sobre a própria China e seus segredos.

Em tempos de pandemia, em lugar de reprises de futebol, tipo 7 a 1, talvez valesse a pena conferir algo sobre aprendizado de Mandarim…em dez anos, conversamos de novo.

[1] https://super.abril.com.br/comportamento/mito-a-muralha-da-china-pode-ser-vista-do-espaco/

[2] < https://www.youtube.com/watch?v=V4HHx8SAE8E >

2 comentários em “A China de 40 anos atrás e a China de daqui a dez anos

  1. Dennis Gouvêa Galante 17 de maio de 2020 — 6:15 pm

    Excelente visão da contradição e evolução chinesas. Li o livro do Henfil, leitura leve e informativa, rica em detalhes. Mas acredito que ainda não será o mandarim a substituir o inglês como idioma universal já que atualmente há 300 milhões de chineses estudando o idioma da rainha Elizabeth.

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    1. Muito obrigado, Dennis, li na adolescência e me lembro de passagens engraçadas até hoje, muito bom saber que você também leu. Sobre ser o Mandarim língua universal no futuro, também não acredito. O que quis dizer é que a presença chinesa vai se ampliar cada vez mais e seria bom estarmos atentos. Abraço!

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