Uma live sobre educação e tecnologia com Seymour Papert (aí sim!)

O MIT nos EUA é sinônimo de inovações em diferentes campos da tecnologia. Seymour Papert [1928-2016] ao lado de Marvin Minsky [1927-2016] e outros cientistas ilustres, fundou o Media Lab do MIT. Antes disso, Papert havia trabalhado quatro anos diretamente com Jean Piaget na Suíça. Ali aprendeu sobre desenvolvimento cognitivo e acrescentou uma nova camada de ideias ao pensamento do seu mestre. Foi um cientista original e corajoso, certamente o primeiro pensador sério do uso do computador na educação e até hoje o mais importante.

Papert dizia que a música não está no piano, assim como o aprendizado não está no computador. Precisamos saber tocar.

Papert combinou em suas pesquisas, inteligência artificial, desenvolvimento infantil e tecnologias educacionais como ninguém havia feito e que permanece muito original até hoje. Veja o porquê.

Segundo Gary Stager, Papert “previu tudo”. Ver [2].

  1. Crianças operando o computador sozinhas (isso na década de 1960!)
  2. Robótica educacional (criou o conceito em 1971 para que criança tivessem experiência de cientistas e engenheiros).
  3. Aprendizado e games de computador (crianças desenvolvendo raciocínio por meio da programação de jogos).
  4. Movimento “Maker” (misture tecnologia com criatividade e veja o resultado!)
  5. Oposição do sistema escolar (a escola não estaria preparada para as mudanças e reagiria incorporando os instrumentos a seu modo).
  6. A volta do instrucionismo escolar (computador sendo usado mais para ensinar do que para aprender).

A teoria de aprendizagem mais importante associada a Papert que apenas menciono aqui e que está descrita em três livros (ver [2]), é o Construcionismo.

Enquanto o Construtivismo de Piaget sugere que o processo de construção do conhecimento ocorre dentro da cabeça do aprendiz (criança não precisa ser “ensinada”), o Construcionismo de Papert sugere que essa construção seja feita pela ação criativa de algo tangível e compartilhável fora de sua cabeça, via computador.

Para instrumentalizar as crianças criou uma linguagem de programação especialmente para elas, a linguagem LOGO.

Papert foi contra também a rigidez de currículo. Usando o computador com liberdade criativa, não podia concordar com que se limitasse o que cada aluno deveria aprender em cada serie escolar de forma rígida nas escolas (nos EUA isso era chamado de Common Core).

Clichê dos clichês que é sucesso das lives de hoje

O clichê mais repetido, aquele de que só a escola não muda enquanto todas as outras áreas mudam foi criado por Papert, Com algumas variações, é assim:

Um cirurgião de 150 anos atrás viaja no tempo até a época atual e chega a um centro cirúrgico…não sabe onde está. Um professor atual faz o caminho inverso, viaja 150 anos no passado e encontra lousa, giz, apagador… sabe exatamente que está em uma sala de aula.

Com dois doutorados em Matemática, indignava-se com a forma como a Matemática era ensinada e que fazia com que fosse a disciplina mais temida e rejeitada pelas crianças nas escolas. Imaginou então a Matematicalândia. A ideia era menos ou menos a seguinte: estudar francês é fácil para quem mora na França, mas é difícil para quem mora no Brasil, em um contexto em que saber francês praticamente não serve para nada. Estudar matemática seria mais fácil se houvesse um contexto para isso. Imaginou esse contexto no micromundo do computador. Ali projetou ferramentas e experimentos em matemática que seriam impossíveis de serem realizados sem um computador.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Por mais de 45 anos dedicou-se a criar software e hardware. Em plena década de 1960 sonhava com que cada criança tivesse seu próprio computador antes que a maioria das cidades tivessem sequer um computador.

Mas talvez a ideia mais sonhadora de Papert tenha sido de que o computador seria a máquina das crianças.

Veja abaixo o desenho feito por outro mestre, Alan Kay, depois de encontrar Papert em 1968. É simplesmente o desenho de um tablet!

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Sobre jogos e educação ele ainda escreveu:

Esqueça joguinhos que ensinem multiplicação ou outras habilidades básicas, a única habilidade que interessa é a habilidade de aprender e o melhor uso de jogos é fortalecer essa tendência a aprender. O entusiamo por jogar dará lugar ao entusiasmo por fazer jogos e a uma nova forma de pensamento sofisticado.

Papert insistia que quando as ideias vão para as escolas, elas perdem seu poder. “A escola faz mais mal às crianças do que a Nintendo…”.

Por isso provavelmente ficaria chocado com o que assistimos hoje nas lives: políticos, donos de escolas e empresários do ramo da educação falando a seu modo de educação e tecnologia.

Papert acreditava que a tecnologia educacional tiraria o atraso dos países do 3o. mundo, por isso desenvolvia projetos de educação e tecnologia em países pobres. Morreu fruto de complicações por um atropelamento que sofreu por uma motocicleta na cidade de Hanói, onde participava de um congresso. As grandes ideias não morrem. Ver[2].

[1] https://www.youtube.com/watch?v=6-dFTmdX1kU

[2] http://dailypapert.com/print-archives/

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