Breve história da tecnologia educacional, de 1950 a 2020

Se você assistiu ao filme Tiros em Columbine (2002, dir. Michael Moore), deve se lembrar de uma animação sobre a história dos Estados Unidos que apresenta com humor e ironia como o uso de armas de fogo virou parte da cultura daquele país. Ver [1]

Gostaria de ter os mesmo recursos para apresentar a história da educação & tecnologia nos últimos 70 anos. Daria um roteiro divertido sobre o que os pesquisadores e as escolas pensavam (e pensam) sobre o uso de recursos digitais na educação.

Fiz um apanhado de 1950 até 2020, com lampejos que representaram as revoluções prometidas pelas tecnologias de ensino em cada década. Os saltos são de dez em dez anos.

Década de 1950

O psicólogo B.F.Skinner [1904-1990], professor da Universidade de Harvard, criou o conceito de “máquina de ensinar”. Um dispositivo com perguntas e respostas em que o próprio aluno tinha feedback imediato para saber se tinha acertado ou errado uma questão. Segundo Skinner, o estudante teria mais controle sobre seu processo de aprendizado porque aprenderia de forma autônoma e em seu próprio ritmo, sem depender de supervisão. Já o professor, com base no relatório do desempenho dos alunos, ganharia eficiência no processo e poderia customizar as atividades de acordo com as necessidades pedagógicas de cada aluno.

Década de 1960

Seymour Papert [1928-2016] no Media Lab do MIT, combinou em suas pesquisas inteligência artificial, processos cognitivos e tecnologias educacionais. Sonhou com o aprendizado autônomo das crianças com apoio do computador em ambientes especialmente projetados para elas, embora os primeiros computadores pessoais só aparecessem 25 anos depois. Suas ideias (movimento maker, STEAM, robótica educacional, aprendizado por games…) ocuparam o primeiro plano das discussões serias de educação e tecnologia por muito tempo. Ver [2]. Papert esteve no Brasil em um encontro histórico com o educador Paulo Freire em 1995, na PUC de São Paulo.

Década de 1970

Época de descobertas de novos recursos para o ensino: transparências, retroprojetores, projetores de slides, gravadores de rolo, filmes em super-8. Bom lembrar que o rádio cresceu como fonte de difusão do ensino no Brasil por meio do projeto Minerva, criado em 1970 pelo governo militar. Faz parte de uma história pouco contada da EAD no Brasil que merecia ser revisitada. Ver [3]. O Projeto Minerva lançou as bases para que o programa Telecurso (ensino pela tevê) fosse criado na década seguinte.

Década de 1980

Surgem os primeiros computadores pessoais. Monitores monocromáticos de baixa resolução apresentam de ferramentas de escritório tais como processadores de texto, apresentações e planilhas. Tais ferramentas não foram criadas para uso em escolas mas chamaram a atenção de alguns professores. A linguagem BASIC vinha nativa em algumas máquinas convidando à criação de joguinhos educacionais que não dependessem de efeitos gráficos: treino de habilidades em tabuada e letras do alfabeto, por exemplo. Algumas prefeituras investiram em projetos piloto casados com pesquisas em universidades para montar laboratórios e capacitar professores das escolas públicas. Ver [4]. Isaac Asimov, mestre da ficção científica, previu a Internet e seus efeitos na educação.

Década de 1990

As escolas mais abastadas investiram na montagem dos laboratórios para impressionar os pais. Monitores policromáticos agora com recursos multimídia leitores de CD-ROM e caixas de som começam a aparecer nas escolas antes de aparecerem nas casas da maioria das pessoas. Os professores tinham que achar o que fazer com os computadores e isso foi uma dor de cabeça para muitos. Em algumas redes de ensino, optou-se pelo ensino técnico por meio de uma disciplina específica voltada para o ensino de planilhas e editores de texto, junto a alunos do ensino fundamental e medio. O compartilhamento de softwares se dava por shareware (conceito que desapareceu em que você usava o software e o distribuía de graça podendo remunerar o produtor ou não). CDs repletos de shareware foram vendidos em bancas de jornais e trocados entre as pessoas. Não havia conectividade entre os computadores mas surgiram as experiências com BBS (computadores ligados a um computador central por meio da linha telefônica) prenúncio da Internet que vai surgindo no horizonte.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Década de 2000

Internet aparece como promessa de revolução no ensino: acesso à infinidade de informações, possibilidades de comunicação múltiplas, recursos gráficos ilimitados, etc. Alunos entram nas salas de aula com celulares e computadores o que atordoa muitos professores. A Internet se tornou presente nas aulas sem que os professores soubessem o que fazer com ela. A promessa de que super-recursos da Internet transformariam a escola e os alunos em super-alunos não aconteceu.

Década de 2010

Proliferação de redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas. Ficou praticamente impossível manter a atenção dos alunos no professor por mais de dez minutos, professores reconheceram que a briga com o celular pela atenção dos alunos ficou desigual. Celulares e computadores pessoais tornaram-se parte da aula que ficou mais sufocada do que favorecida por esses recursos. O ensino híbrido começou a ocupar lugar nas escolas encurtando as aulas presenciais mas implantado de forma improvisada, criou a má fama do EAD como modelo de ensino. Alunos foram criando suas próprias experiências híbridas: olhando distraídos para o próprio celular/tablet e computador, e às vezes, para questionar o ensino do professor sobre um tópico específico apresentado.

Ano de 2020

No mundo inteiro, tempos de crise econômica pressionam o ensino presencial por mudanças e impulsionam o ensino online. Ver [5]. Com a inesperada pandemia, as pessoas em afastamento social deixam de frequentar espaços públicos como a escola. A represa do uso de recursos tecnológicos nas escolas é explodida pelo coronavirus. O computador passa a ocupar todos os espaços, a contragosto das pessoas e modelos mais resistentes. Ensino superior e ensino básico são mergulhados na tecnologia digital sem estarem preparados.

Tem-se uma bifurcação: ou se transfere para o computador a presencialidade do professor mantendo suas tradições e padrões de instrucionismo de sempre, ou se opta por aplicar métodos ativos de aprendizagem em que o material não é a parte mais importante do processo e sim o aluno. Nenhum caminho é fácil ou imediato: há perdas claras e ganhos incertos.

Conclusões

Se você leu até aqui e tem interesse especial por este tema, coloque em comentários o que você consideraria ideias para uma conclusão…

[1] < https://youtu.be/58BDrZH7SX8 >

[2] < https://ronaldobarbosa.pro.br/2020/06/12/uma-live-sobre-educacao-e-tecnologia-com-seymour-papert-ai-sim/ >

[3] Tese Doutorado; Pinto, Thiago Pedro. Projetos Minerva: caixa de jogos caleidoscópica / Thiago Pedro Pinto, 2013 9 v. : il. Orientador: Antonio Vicente Marafioti Garnica Tese (Doutorado)–Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Ciências, Bauru, 2013 

[2] < https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/especial-publicitario/prefeitura-de-tupa/tupa-e-minha-cidade/noticia/2019/04/10/prefeitura-conclui-instalacao-de-laboratorios-de-informatica-em-escolas-de-tupa.ghtml >

[3] < https://www.youtube.com/watch?v=6-dFTmdX1kU >

[4] < http://fmslogo.sourceforge.net/history >

[5] < https://onlinelearningconsortium.org/ >

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close