Pandemia e homeschooling: começo do fim das escolas?

A atual crise trará benefícios para a educação mas isso é diferente de dizer que trará benefícios para as escolas. Há pouca informação sobre escolas que fracassaram em implantar o ensino emergencial remoto. Uma que nem tentou é simplesmente a escola particular mais cara de São Paulo (ver [1]).

Quanto aos professores, repete-se a toda hora que eles tem sido vitoriosos na capacidade de se reinventarem em tão pouco tempo mas, vamos reconhecer, muitos deles estão perdendo seus empregos em todos os níveis de ensino: quando há menos alunos, há menos aulas e necessidade de menos professores.

A razão de existir das escolas tem extensa bibliografia (ver[2]). Será que essa bibliografia ajudaria a explicar também porque as escolas podem desaparecer?

O número de matrículas no ensino fundamental está caindo há uma década. Um relatório do INEP de 2016 já mostrava a queda no número de alunos bem antes da pandemia (ver[3]).

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Outros níveis de ensino como ensino superior e ensino pré-escolar, sentem cada um a sua própria dor. No ensino superior o atraso nas mensalidades cresceu 72,4%, enquanto a desistência aumentou 32,5% em abril em comparação ao mesmo período do ano passado (ver[4]).

Pouco se comenta sobre o impacto da pandemia com relação às escolas infantis. Manter os filhos na pré-escola virará artigo de luxo em breve, dadas as incertezas na economia e o risco de desemprego dos pais (ver (7). Há também a dificuldade dos pais em acompanhar as crianças quando as atividades se tornam on-line. Bom lembrar que o mesmo relatório do INEP de 2016 dizia que as escolas infantis tinham sustentação bem frágil (ver [3]).

41,2% dos estabelecimentos de ensino que ofereciam anos iniciais tinha menos de 50 alunos.

Não por acaso, ganha força no Brasil e também no mundo, iniciativas de educação domiciliar.

Educação domiciliar (homeschooling)

No homeschooling os alunos não frequentam a escola e aprendem em casa os conteúdos/formações que seriam dados na escola. A flexibilidade de escolher o próprio método de aprendizagem seria uma das vantagens da educação domiciliar.

Existem diferentes metodologias de apoio ao homeschooling, implementação pode envolver tutores particulares que frequentam as casas para lidar com conteúdos específicos ou os próprios pais se encarregam de ensinar os filhos, não há modelo único. Os defensores da educação domiciliar dizem que o aprendizado é mais rápido, direto e eficiente, sem a burocracia, riscos e insegurança da escola tradicional.

O maior desafio para o homeschooling no Brasil, ao contrário de muitos outros países, é que ele é ilegal para as crianças em idade escolar.

Pais que insistirem em deixar os filhos em idade escolar (quatro anos em diante) fora da escola podem ter que enfrentar batalhas legais ao serem acusados de abandono intelectual dos menores.

Uma das críticas dos educadores ao homeschooling é que não haveria interação das crianças com outras crianças ou com pessoas que não as da família. Mas os sites de divulgação e apoio ao homeschooling tem mapeadas as respostas à maioria das críticas.

Um argumento a favor é o de que adultos instruídos sob homeschooling em geral são bem-sucedidos na vida pessoal e profissional e continuam a valorizar a educação para si e para seus filhos como prática permanente em suas vidas. Crianças desenvolveriam desde cedo autonomia intelectual (ver [5]). Críticos dizem que os alunos neste modelo não desenvolvem tão bem espírito colaborativo e capacidade de comunicação.

Hoje, as mudanças que devem acontecer no ensino presencial tradicional deverão incidir também em modelos de homeschooling com aporte maior de tecnologias digitais.

Ninguém sabe muito bem a equação do hibridismo que está por vir mas a batalha já começou (ver[6]).

O fato é que com as tecnologias digitais, tanto alunos do ensino domiciliar quanto das nascentes escolas híbridas acessarão os mesmos materiais e talvez até assistirão as mesmas aulas. As diferenças tendem a se dissolver.

Será o começo do fim das escolas?

A recém-criada Associação Nacional de Educação Básica Híbrida (ANEBHI) lutará para que não!

[1] < https://noticias.uol.com.br/colunas/paulo-sampaio/2020/07/12/escola-cobra-12-mil-por-mes-e-nao-da-aula-on-line-na-quarentena-dizem-pais.htm >

[2] < https://www.scielo.br/pdf/es/v28n101/a0228101.pdf >

[3] < http://portal.mec.gov.br/docman/fevereiro-2017-pdf/59931-app-censo-escolar-da-educacao-basica-2016-pdf-1/file >

[4] < https://www.semesp.org.br/imprensa/com-inadimplencia-e-evasao-em-alta-na-pandemia-30-das-instituicoes-de-ensino-superior-podem-fechar-em-2020/ >

[5] < https://www.aned.org.br/media/attachments/2019/09/16/7665ff_aae66a963eb84102bc181ef0c93afea2.pdf >

[6] < https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/como-sera-a-volta-as-aulas-presenciais-no-brasil/ >

[7] < https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/07/16/familias-tiram-filhos-pequenos-da-escola-por-causa-da-pandemia.htm >

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