Filmes na educação: esqueceram (lembrem-se) de mim!

Por meio do cinema são contadas historias e experiências que nos ajudam a moldar nossa própria personalidade. Vivenciamos experiências alheias que nunca teríamos em nossas próprias vidas e podemos refletir sobre elas em segurança. O mesmo efeito acontece com livros (e músicas) mas os filmes são diferentes: exigem outro tipo de atenção, demandam menos tempo, são mais coletivos e combinam melhor com a leveza do lazer e da diversão.

Desde o inicio do cinema já se especulava como filmes poderiam revolucionar a educação mas isso nunca aconteceu (ver [1]).

Uma das motivações para se trabalhar com filmes em educação é o apelo ao senso crítico em relação aos próprios filmes Na falta de outras referências, muitas pessoas acham que o que vêem nas telas é a própria realidade.

“Ulisses, da obra de Homero, realmente existiu e tinha a cara do Brad Pitt!”

Seria ótimo aproveitar os filmes para se aprender algo relacionado a Ciências, História, Filosofia ou qualquer outro conteúdo. A mediação dos professores tornaria isso possível.

Anos atrás, para trabalhar com filmes, o professor tinha que comprar ou alugar o filme em DVD ou baixar pela Internet. E depois encarar a advertência de que o filme, por lei, não poderia ser exibido em público, isto é, de saída o ato de exibir era antieducacional.

Hoje inúmeros filmes estão à disposicão na Internet em diversas plataformas, de graça ou a um custo muito baixo, se não forem lançamentos.

O aproveitamento ou a transposição dos filmes para a realidade dos objetivos de uma disciplina não é nada trivial.

Cada filme é diferente do outro e transformá-lo em um objeto de aprendizagem exige um esforço, atenção e habilidades dos professores para as quais, presumo, a maioria dos professores não está preparada. Haja vista como poucos professores os utilizam.

O desafio começa por selecionar o filme. Filmes nascem longe dos interesses escolares, visam entreter e não ensinar. E aqueles filmes com teor minimamente científico costumam exaltar a pseudo-ciência ou a anti-ciência, apresentando conceitos errados. Aí entraria o trabalho do professor elaborando reflexões sobre as histórias e questionamentos sobre os conceitos apresentados como forma de apelo à inteligência e ao senso crítico.

Luiza de cinco anos, depois de assistir ao filme A Era do Gelo, acha que os bichos congelados estão vivos. Quando vai ao supermercado acha que os bichos vão sair andando.

Como usar filmes para o aprendizado: três possibilidades, entre dezenas possíveis

Possibilidade #1

Como um roteiro de estudos tradicional, o professor prepara o terreno para que o aluno preste atenção a determinados aspectos do filme. Pode criar um conjunto de perguntas para serem respondidas depois pelo aluno com base no que assistiu. Algo como os antigos questionários que apareciam no fim dos livros de literatura brasileira. Exemplo: considere o filme Distraidamente. Alguns modelos recentes sobre neurociências estão presentes naquele filme. Uma pergunta seria algo como: – Por que a sala de comando apresenta a Alegria, a Tristeza, a Medo, o Raiva e o Nojinho ? _Por que a Tristeza é importante em nossas vidas?…

Possibilidade #2

Sugerir que alunos assistam ao vídeo/filme só até um certo ponto da história, depois que eles desenvolvam um final próprio por escrito, aí então o final é assistido e comparado com o final previsto.

Possibilidade #3

As perguntas aparecem durante o filme: em um ponto definido, pára o filme e o aluno tem que responder. As variações incluem ter que responder para continuar, ter que responder certo para continuar, etc..O desafio do professor neste caso passa pelo acréscimo de perguntas ao trecho do filme. Muitos chamam isso de vídeo interativo. Não é difícil de fazer ee xistem ferramentas gratuitas para isso, a melhor que recomendo é o CAPTIVATE (ver [2])

Em resumo, professores esforçados e criativos podem fazer muitos usos de vídeos/filmes: podem ilustrar um conceito complexo, podem selecionar trechos de filmes e de documentários para discutir com a turma; podem avaliar o rigor científico de uma obra de ficção; podem comparar um romance com uma adaptação para o cinema e estudar a transposição de uma linguagem para outra, etc.

Conforme dizia o crítico André Bazin:

“O filme continua quando acaba”.

No mundo educacional poderia continuar por muito mais tempo.

[1] < https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-12092011-154616/pt-br.php >

[2] < https://www.youtube.com/watch?v=PrJ6C77VfE8&list=PL56qKC3lk5eDwzU0Vw_d1OOJRtQyRtASv >

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close