Monte seu curso on-line em 8 passos

Seria bom ter aula de produção de textos com Neil Gailman, de cinema alternativo com Spike Lee, de criatividade com David Lynch, de comunicação científica com Neil deGrasse Tyson…essas pessoas, entre muitas outras, tem cursos na plataforma masterclass.com, que é por assinatura e você vai fazendo os cursos que quiser em qualquer sequência. Os cursos são longas palestras divididas em segmentos de vídeos de 10 minutos, mais ou menos. Você paga anualmente uma assinatura para aprender alguma coisa que lhe interessa. Não existe certificação, ainda bem.

A certificação virou uma doença do ensino, vale mais do que os próprios cursos. Mas a ideia de um curso não era o aluno aprender?

Um curso em oito passos

Pensando mais em pessoas comuns do que em Spike Lee, sugiro um roteiro com 8 passos para você criar seu curso on-line. Ao final, sim é possível, você terá um curso “vendável”.

Introdução

Este é um pequeno guia para a montagem de seu primeiro curso on-line. Simplificamos o processo ao máximo no intuito de convidar qualquer pessoa a criar seu próprio curso, tendo experiências prévias com ensino formal ou não. Destina-se a professores de todos os níveis de ensino e também a pessoas sem muita experiência. Depois de seguir o roteiro até o fim, o curso resultante poderá ser vendido em plataformas especializadas. Criar um bom curso e disponibilizá-lo na Internet atrai boas oportunidades e enriquece o portfólio do profissional de qualquer área.

Modelo pedagógico

O formato de curso que proponho é simples e semelhante ao de muitas plataformas que vendem cursos: não requer contato entre professor e aluno em tempo real, aposta na autonomia do aluno sem a necessidade de um tutor que corrija as atividades. As videoaulas devem ser curtas e simples, gravadas pelo próprio instrutor com base nos slides derivados do material escrito.

Roteiro de 8 passos para montagem de um curso:

Passo 1 – Definindo Objetivos e Público-alvo

A quem se destina seu curso? O aluno necessita de algum pré-requisito? Qual ? Colocando-se no lugar do aluno: _O curso é interessante para mim? _Por quê? _Se eu posso estudar sozinho, por que faria este curso? 

Definido o público-alvo, o próximo passo é definir quais são os objetivos do seu curso, o que os alunos irão conquistar ao fazê-lo. Defina os objetivos de maneira simples, listando algumas frases mas sempre começando por verbos no infinitivo. Não se limite a verbos vagos e comuns em planos de ensino tais como “compreender” ou “assimilar”. Opte por usar verbos como “desenvolver” ou que indiquem mobilização de conhecimentos tais como “aplicar”, “utilizar”, “projetar”.

Passo 2 – Montando a estrutura do curso

Agora que definiu os objetivos e público-alvo e você já sabe onde quer chegar então é o momento de definir a estrutura do curso

Nesta proposta. o curso será assíncrono, sem tutoria e conterá videoaulas, textos e atividades para o aluno realizar sendo que estas não dependem de um tutor (depois você pode sofisticar e fazer a seu modo as mudanças e adaptações que quiser).

Quanto maior a cobertura de assuntos, mais difícil será descer a detalhes na estrutura. A tendência é querer “falar tudo”, fuja disso, escolha um tema e acelere. Quando pensamos em cursos, pensamos em unidades-aula e aí a analogia com cursos presenciais é muito forte. Dimensione o curso começando pelos vídeos: cada videoaula deve cobrir um único conceito durando de 5 a 6 minutos, em media. Pensando a partir do detalhe para o geral, considere que cada tópico é uma videoaula, que um conjunto de tópicos corresponde a um assunto e que vários assuntos formam seu curso.

Sugerimos que cada “assunto” contenha os vídeos correspondentes aos itens daquele mesmo Assunto. Quanto aos materiais de apoio escritos, sugerimos que para cada Assunto corresponda um material de apoio correspondente. Materiais escritos não são obrigatórios, podem ser substituídos pelos slides que dão suporte às videoaulas mas o texto escrito é a chance de aprofundar temas que não caberiam em exposições muito curtas. Faça essa escolha pensando no aluno: como ele aprenderá mais? Lembre-se de que vídeo e textos se complementam, não devem ser idênticos !

Passo 3 – Seleção de materiais na Internet

Ao vasculhar a Internet em busca de materiais provavelmente descobrirá que já existe o curso que você quer criar, que há um número infinito de materiais prontos e que o seu curso não valerá a pena ser criado. Isso é um engano! Cada pessoa consegue colocar sua marca pessoal na forma como ensina e apresenta um curso e isso faz total diferença! Tanta oferta é justamente o que torna o trabalho do criador de cursos importante: separar o que é relevante e dar um sentido de aprendizagem para o aluno. Lembre-se de que o material escrito não pode ser simplesmente copiado. Ainda que seu curso não seja vendido, apenas distribuir material copiado é, em si, um ato ilícito. 

Use anotações de aula tanto quanto possível para compor seu material escrito, valorize suas experiências mas não deixe de dar algum peso ao material contido em outras referências, obras e autores. Pesquise e escreva seguindo regras acadêmicas, afinal é para isso que elas existem!

Alguns sites de domínio público ou de acesso a conteúdos de qualidade ajudam você a obter material e a se inspirar (existem inúmeros), procure fugir de uma pesquisa funesta no Google.

Passo 4 – Preparação dos materiais escritos

Os materiais de apoio escritos devem estar em consonância com os objetivos propostos e proverem autonomia ao aluno no processo de aprendizagem, lembrando sempre que não está prevista mediação do professor. Para a elaboração de materiais escritos, o texto deve ser claro, objetivo e coerente. Pode-se usar materiais de terceiros como apoio para o curso mas é recomendável que se construa um material específico, citando corretamente todas as referências. Crie seções para cada assunto e cada tópico, buscando sempre atingir os objetivos propostos no passo 1. A facilidade de escrita e organização de ideias provenientes de diferentes fontes interessantes é a chave para a montagem de bons cursos. É comum que na preparação dos materiais escritos, se queira alterar os tópicos do curso vistos nos passos 2 e 3. Isso em si não é um problema mas cuidado para não se desviar demais, preparar outro curso ou desanimar. Se ao criar os materiais escritos dos tópicos, você sentir a necessidade de refazer algo da estrutura do curso, refaça isso antes de seguir para o passo 5.

Passo 5 – Produção dos slides

Slides existem para pautar a exposição de um tema, não são obrigatórios em videoaulas mas ajudam o expositor na gravação a não esquecer algo importante. Escreva pouco em cada slide, tentando não ultrapassar 10 linhas de texto por slide. Treine a exposição e evite ler o conteúdo dos slides no momento da gravação. Um vídeo de 5 minutos deve ter cerca de 5 ou 6 slides, no máximo. Crie um modelo com o nome do curso e seu nome e adote como padrão em todos os slides. Isso não coíbe copia mas protege um pouco. Existem muitas fontes na Internet sobre como criar apresentações com slides. Lembre-se de que o conjunto de slides é a base das videoaulas. A experiência vai dando mais agilidade para elaborar os seus próprios slides com eficiência, a partir do material escrito organizado no passo 4.

Passo 6 – Produção das videoaulas

A analogia da “aula” presencial com a qual estamos acostumados não funciona bem no ambiente de cursos on-line. Aqui cada conceito é uma videoaula, complementos e aprofundamentos vão no material escrito. A quantidade de videoaulas depende do planejamento do curso. Por exemplo, um curso constituído por 4 assuntos/blocos que contenha 4 tópicos em cada um, terá algo como 16 videoaulas. Considerando cada vídeo com a duração media de 6 minutos, isso dá 24 minutos por bloco/assunto e cerca de 100 minutos no total. O que passar disso não cabe em um curso e deverá dar margem a um segundo curso! 

A produção das videoaulas depende dos recursos que você tem disponível: você não precisa de uma câmera sofisticada, de iluminação cara ou microfone profissional. Claro que vale a pena investir em um ring de iluminação ou em um microfone de maior qualidade, mas isso não é determinante para o sucesso de um curso, você pode ir investindo aos poucos à medida que for vendendo seus primeiros cursos. A produção das videoaulas em si depende de slides bem feitos, como já dissemos, e de um software de captura de telas. Você pode usar a plataforma LOOM (http://loom.com) ou ainda recursos do próprio Power Point que permitem gravar áudio e imagem do apresentador. Recomendamos que grave na totalidade da tela, exibindo os slides do Power Point ou similar ao mesmo tempo em que grava. isole o ruídos, concentre-se, fale “para fora”, grave com entusiasmo e assertividade !

Passo 7 – Preparação das atividades, exercícios e avaliações

Embora o modelo deste curso não preveja trabalho de tutoria, é importante que sugira atividades e exercícios. Em geral, exercícios acontecem ao final de cada bloco/assunto. Pense estrategicamente: um teste no inicio do curso e outro ao final. Com isso o próprio aluno perceberá seu crescimento. Tudo depende dos seus objetivos e “feeling”.

Passo 8 – Valide seu curso!  

É importante olhar agora o curso como um todo, rever todos os materiais escritos, os vídeos e as atividades. Coloque-se no lugar do aluno ! Peça para um amigo fazer o curso como teste. Os objetivos foram atendidos? Note como o trabalho árduo de criar o plano dos passos 1 e 2 foram decisivos! Uma vez criado o curso, a decisão a se tomar agora é quando e onde aplicar, se irá colocar o curso à venda ou não. 

Existe uma versão mais detalhada deste roteiro, com planilha para planejar melhor e a construção de um curso-exemplo ilustrando todos os passos . Peça em comentários colocando também seu email.

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