IHC, UX, DI…o que temos com isso?

Os antigos aparelhos de som tinham paineis iluminados e botões metálicos que eram interessantes de olhar e de interagir fisicamente. Ninguém pensava em controle-remoto, a graça estava em girar, apertar, deslizar os botões. Com a luz da sala apagada, as luzinhas coloridas e os ponteiros de VU faziam você se sentir piloto de uma aeronave, o rack dos aparelhos parecia um predio em miniatura com as janelas acesas.

De alguma forma, cada aparelho era uma peça de design que enfeitava a sala. Aparelhos de som serviam para ouvir música com alta qualidade (para os padrões da época) e sofisticar o ambiente. Era colocar um disco, ouvir e “viajar” por 20 minutos em um disco do Pink Floyd, por exemplo, quase sempre sem fazer outra coisa ao mesmo tempo. Bastava a música e isso era ótimo!

Todos os utensílios domésticos com botões tinham funções claras e bem definidas, como uma batedeira, um fogão e um liquidificador. Até que chegou o computador.

O computador, primeira máquina verdadeiramente multifuncional da historia, passou a incorporar botões desenhados na tela. Dependendo de cada aplicação, os botões poderiam variar de forma, cor, tamanho, etc. Mas cada botão fazia uma coisa diferente, dependendo do software. Então a aparência dos botões tinha que combinar com suas funcionalidades e com a navegação pelo programa e por outros programas.

Equipamentos cada vez mais poderosos ampliaram os desafios de “interface” – os menus de opções ficaram complexos demais para caberem ao mesmo tempo em telas grandes e em outras cada vez menores. Em celulares, tantas possibilidades transformaram a organização das telas e o design de informação contido nelas em uma área de pesquisa e de desenvolvimento.

Sob o risco de se perder/ganhar muito dinheiro, era preciso apoiar quem usava o equipamento naquilo que desejasse fazer. Mas as pessoas erram, mudam de ideia. Tem expectativas diferentes e são elas mesmas diferentes uma das outras em função da idade, gênero, poder econômico, cultura, experiências, local de origem, onde habitam, etc.

Não é simples saber o que elas querem fazer ou ajudá-las em como fazer algo que varia muito e não sabemos o que é. Modelos e técnicas começaram a combinar abertamente fatores humanos e tecnológicos. Entrou em cena a psicologia social, inclusive.

Ao conjunto de design+interface+pessoas, deu-se o nome de interação ou, melhor, de interação homem-computador (IHC).

A IHC é uma disciplina que reúne uma serie de outras disciplinas, misturando tecnologia com os fatores humanos no uso da tecnologia. Recentemente, novos modelos foram incorporados e a sigla IHC foi dando lugar a formalismos e a outras siglas mais abrangentes tais como DI – Design de InteraçãoUser Experience (UX).

No fundo, o esforço de muitos pesquisadores e desenvolvedores é tornar o uso dos sistemas tecnológicos tão simples quanto possível, apesar da concentração crescente de funcionalidades.

Uma das ideias curiosas da área de TI é um paradoxo: quanto mais recursos um equipamento possui para facilitar a vida do usuário, mais difícil será para o próprio usuário operar o equipamento!

Assim, os desafios de usabilidade crescem na mesma proporção em que a tecnologia se desenvolve!

Recentemente a área de Internet das Coisas (IoT) promete aproximar tecnologia avançada de interação com os utensílios mais banais. Geladeiras reclamarão quando os tomates estiverem acabando e irão solicitar automaticamente a reposição do produto, por exemplo. É um exemplo bobo sempre repetido e que reduz o alcance da IoT.

Bobagem por bobagem, gosto de exemplos ainda mais malucos mas que nos fazem pensar… como a ideia de que iremos conversar com a maçaneta da porta, conforme previram Nicholas Negroponte e na fantasia de Lewis Carroll ou Walt Disney…
É um mundo novo, cheio de oportunidades e desafios que apontam novas direções para nossa relação com os objetos e entre os próprios objetos. Vai muito além do que a virtualização dos botões nas telas, como ocorreu décadas atrás.

Estamos preparados?

Se você leu até aqui, tenho uma sugestão. Antes de estudar qualquer tecnologia na área de interação, eu recomendo o livro de Don Norman, The Design of Everyday Things, há ali uma discussão sobre design feita com muita classe. O autor saltou da engenharia e foi para o design, é um livro fantástico que vale muito a pena ler.

Precisamos de mais cultura e massa crítica na área da interação homens-máquinas.

Só assim poderemos aprimorar os painéis das máquinas de lavar-roupa e, talvez, ir além das maçanetas falantes!

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