Acesso à informação não basta para resolver nossos problemas !

A mãe das bibliotecas públicas da cidade de Sao Paulo é a Biblioteca Mario de Andrade. Abarrotada de livros, recebe centenas de pessoas todos os dias. Mas uma das salas mais disputadas praticamente não tem livros, só computadores. O mesmo ocorre na maioria das bibliotecas públicas que ainda resistem espalhadas pela cidade. A Internet dentro das bibliotecas não se mistura aos livros, é um outro espaço, menos qualificado porém muito mais mais disputado.

Enquanto os livros aguardam quem os retire da prateleira, internautas raramente são leitores de livros, preferem notícias ligeiras, trocam mensagens instantâneas, acessam as redes sociais e fazem uma ou outra consulta pontual ou apenas se distraem.

Em defesa dos não leitores eletrônicos é o fato de que ler na tela é fisicamente desconfortável depois de um certo tempo e, por isso, uma “leitura profunda” é bem difícil de fazer.

Toda a farta variedade de informação para ser consumida off-line em jornais e revistas não se compara ao volume de leitura potencial on-line. Cabe pensar um pouco:

Mais informação quer dizer informação melhor? O que fazemos com tanta informação? Ajuda-nos a “saber” mais? Saber mais é sempre bom?

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Nossa herança cultural está repleta de parábolas sobre aventuras desastrosas a que chegamos quando queremos saber demais.

Está na Bíblia (expulsão do Paraíso), na mitologia grega (o mito de Prometeu e Pandora), na literatura (Frankstein, Fausto) e mesmo em histórias infantis (Alice no País das Maravilhas), entre inúmeras outras (ver [1]).

Já pensou o que aconteceria se soubesse exatamente o dia e hora em que passará desta vida para o que vem depois?

Face a tanta informação, submergimos e ficamos ansiosos, mais informação não necessariamente resolve mais problemas, pode criar ( e está ) criando novos.

Enquanto isso é comum o discurso de que o acesso à informação resolve todos os problemas da sociedade.

Muita coisa negativa que acontece por ação humana direta nada tem a ver com acesso à informação que a prevenisse : a violência nas grandes cidades, gravidez na adolescência, desperdício de água ou o consumo de tabaco… todos são exemplos de desastres anunciados que ocorrem o tempo todo e não por falta de informação.

Quantos morrem de câncer todos os anos mesmo sabendo que o tabaco faz mal

Daí o argumento comum de que o acesso universal à Internet irá resolver os problemas educacionais é um erro.

Muitos ou todos os educadores, se perguntados, dirão que “não basta o acesso à Internet para aumentar o aprendizado” mas, na prática, dizem outras coisas ou agem como se acreditassem sim nisso. 

Coloque um celular ou um computador na mão de cada criança e verá o quanto (des) aprendem melhor! Educação não se beneficia diretamente por mais informação.

Precisamos estudar melhor as experiências de uso da tecnologia (sobretudo as fracassadas que são inúmeras) antes de colocá-la à frente das soluções educacionais por si mesmas. Isso já ajudaria muito!

—-

SHATUCK, R. O Conhecimento Proibido. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

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