O que aprendi com o cinema de Stanley Kubrick

Em 2013 o MIS (Museu da Imagem e do Som, de São Paulo) trouxe uma exposição mágica sobre a obra de Stanley Kubrick [1928-1999].

A exposição vinha circulando pelo mundo em museus de diferentes cidades sempre com muito sucesso e acho que continua circulando até hoje. Apresentava milhares de itens originais do diretor e de seus filmes: equipamentos, objetos de cena, roteiros, fotos, cartas e muita coisa do que está à frente e atrás de suas grandes produções cinematográficas. Até quadros pintados pela esposa de Kubrick durante as produções estavam por lá.

Cada filme ocupava uma sala inteira do MIS de São Paulo. O que não existia de original, a produção do MIS caprichosamente providenciou: detalhes do quarto de “Lolita”, o neon e estátuas do bar de “Laranja Mecânica”, a máscaras de “De Olhos Bem Fechados”, a espaçonave de “2001” em grande escala pendurada no teto da sala principal e centenas de outros itens.

No 2o. andar do museu, cada sala era ambientada com a atmosfera de um filme: a música, iluminação, cenário, personagens, etc. Assim, andar pelo museu era andar pelos filmes. Foi o maior fluxo de pessoas da historia do MIS (mudou o perfil do museu) e entre os visitantes mais ilustres, estiveram ali parentes do próprio Kubrick.

Paralelo à exposição aconteceu uma mostra dos principais filmes (formou filas na rua) e o excelente curso O Cinema de Stanley Kubrick dado pelo crítico de cinema Sergio Rizzo, da FAAP.

Acordei de madrugada para ir ao MIS e poder fazer o curso durante duas semanas. Andei pela exposição muitas vezes, inclusive sozinho enquanto o museu ainda estava fechado.

A “Iniciação Científica”, o “TCC”, o “Mestrado” e o “Doutorado” de Stanley Kubrick

Kubrick passou pela fotografia antes de chegar ao cinema, mas antes teve que ganhar algum dinheiro jogando xadrez profissionalmente. Nunca fez universidade mas provavelmente é hoje um dos diretores mais estudados em escolas de cinema do mundo inteiro.

Pode-se pensar a filmografia de Kubrick como uma trajetória acadêmica. Brincando com essa ideia, ele foi da iniciação científica, passou pelo mestrado, doutorado e depois saiu publicando artigos…

Apresento abaixo alguns trailers que já permitem perceber cada filme como uma peça de arte peculiar. Claro que os filmes falam por si e que há muitas reflexões profundas que foram publicadas a partir deles. Coloco aqui só um mínimo.

#1 – Iniciação científica: SPARTACUS (1960)

Pergunta que o filme endereça: _O que torna um líder, um líder?

#2 – TCC: DOUTOR FANTÁSTICO (1964)

O filme trata da loucura da guerra, do absurdo de como as grandes decisões são tomadas.

#3 – Mestrado: 2001, UMA ODISSEIA NO ESPAÇO (1968)

Provavelmente um dos melhores filmes já produzidos, senão o melhor, uma reflexão sobre até onde a ciência e tecnologia podem nos levar.

#4 – Doutorado: A LARANJA MECÂNICA (1971)

Uma reflexão sobre manipulação, escolhas e livre arbítrio, para dizer o mínimo.

Depois do “doutorado”, Kubrick fez vários filmes menores porém importantes, incluem-se entre os “artigos”: BARRY LINDON (1975), O ILUMINADO (1980), NASCIDO PARA MATAR (1987) e o último, DE OLHOS BEM FECHADOS (1999).

Legado para além do próprio cinema

Diretor inovador em todos os sentidos, inventou técnicas, câmeras e aparatos que ninguém considerava possível até então.

A imagem do planeta Terra, por exemplo, que aparece em “2001…” , é perfeita mas é só um desenho…pois é anterior à viagem do homem à Lua, quando a Terra foi fotografada pela primeira vez!

Kubrick era terrivelmente meticuloso e detalhista, demorava cerca de cinco anos para fazer cada filme. Antes de filmar ele estudava muito e lia tudo sobre o assunto até ser capaz de debater com especialistas aquele tema que pretendia desenvolver, frequentemente sabia mais que o seu interlocutor.

As biografias tem histórias curiosas, entre elas o desespero dos técnicos e atores que trabalharam com ele. No final de cada produção, cada atuação passava a ser a melhor da carreira daquele artista ou técnico. Tecnicamente, muitas cenas entraram para a historia do cinema.

A obra de Kubrick é atual e importante para pensar a ciência, a psicologia, projetos, o amadurecimento pessoal, relacionamentos e tudo mais que um espectador atento possa colher de seus filmes perturbadores e riquíssimos de ideias. Dá também uma ideia de como sonhos de um lider, viram sonhos de todos, como aparece em uma das passagens de “Spartacus”.

Pós MIS

Depois do curso no MIS assisti a todos os filmes, comprei e li tudo que consegui sobre Kubrick, reflexões sobre seus filmes e biografias.

2001 com a cena do astronauta desligando o supercomputador HAL nunca mais saiu da minha cabeça…concluí depois que o HAL era o mais humano dos personagens.

Comprei um livro com um fragmento da película original de um dos filmes oriunda do acervo pessoal do próprio diretor. Desafio você a reconhecer de que filme é…

Nestes tempos de desconcertante superficialidade em todas as áreas… da música à educação, das relações humanas e da cultura de forma geral…seria muito bom revisitar o estilo e a obra de Stanley Kubrick!

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