_Quer que eu desenhe? Uma introdução ao pensamento visual

Com o excesso de telas ao nosso redor, é cada vez mais comum ouvirmos falar da importância do “pensamento visual” ou do “pensar por imagens”.

O assunto é apresentado para todos os gostos e sob todos os aspectos: experimente digitar “pensamento visual” no Google Scholar e aparecerão quase 100.000 links.

Uma introdução simples e prática ao assunto diz que grandes ideias podem ser apresentadas por meio de desenhos em papel, feitos à mão, mesmo por quem não sabe desenhar. O segredo está em conseguir se expressar por imagens, seja como for.

Daniel Roam diz que grandes ideias podem nascer em desenhos feitos a qualquer hora em qualquer lugar, à mão livre, em recibos de mercearia, verso de envelopes ou guardanapos.

Segundo ele, representar ideias por meio de desenhos comunica mais claramente, com mais rapidez e ajuda a enxergar o que de outra forma seria invisível. O famoso “quer que desenhe?” tem seu fundo de verdade.

Em The back of Napkim (traduzindo: “Por trás do guardanapo”) o autor apresenta as seguintes etapas do pensamento visual : OLHAR – VER – IMAGINAR – MOSTRAR.

OLHAR

Significa coletar informações e fazer uma primeira avaliação rudimentar do que vemos para saber como reagir. Olhar envolve examinar o ambiente, a fim de criar um quadro abrangente que nos forneça uma ideia da situação como um todo e, ao mesmo tempo, disparar as rápidas perguntas que nos ajudarão a fazer uma primeira avaliação do que está diante de nós.

Algumas perguntas que ajudam a Olhar:

O que está ali ? Há muitas coisas ali? O que não está ali ?

Até onde consigo enxergar ? Quais são os limites da minha visão neste caso ? As coisas que vejo são as coisas que eu espera ver ?

Atitudes que dizem respeito a Olhar:

Analise o cenário como um todo: existem florestas, árvores e folhas! Comece a filtrar os ruídos: separe o que interessa do que não interessa!

VER

É o lado da moeda das informações visuais, é nesse lado que nossos olhos se tornam conscientemente mais ativos. Enquanto antes só olhávamos, analisávamos o cenário como um todo e coletávamos as informações iniciais. Agora na etapa Ver, passamos a selecionar as informações que merecem uma inspeção mais detalhada. Esta é a etapa baseada no reconhecimento de padrões – às vezes é realizada conscientemente, mas muitas vezes, não.

Algumas perguntas que ajudam a Ver:

_Entendo o que vejo? Já vi isso antes?

_Estão surgindo alguns padrões? Há algo que se destaque?

_Já coletei informações visuais suficientes para dar sentido ao que vejo?

Atitudes que dizem respeito a Ver:

Selecione as informações visuais que merecem análise mais demorada. Classifique as informações por padrões e agrupe-os.

IMAGINAR

É o que acontece após as etapas relativas à coleta e seleção de informações, e essa é a hora de começar a manipular as informações. Imaginar é o ato de enxergar com os olhos fechados ou o ato de enxergar o que não está visível.

Algumas perguntas que ajudam a Imaginar:

_Onde já vi isso antes?

_Posso manipular os padrões para que algo que está invisível apareça? Existe uma estrutura oculta conectando tudo o que vi ?

Atitudes que dizem respeito a Imaginar:

Descubra analogias.Pergunte: “Onde já vi isso antes ?”

Manipule os padrões: coloque os desenhos de cabeça para baixo, vire-os da direita para a esquerda, altere as coordenadas. Veja se algo novo aparece.

MOSTRAR

Um vez encontrados os padrões, atribuir-lhes um sentido e encontrar uma forma de manipulá-los, é hora de mostrá-lo às outras pessoas. Precisamos resumir tudo o que vimos, encontrar a melhor estrutura para representar visualmente nossas ideias, realçar o que imaginamos…

Algumas perguntas que ajudam a Mostrar:

_Quais os desenhos mais importantes surgiram ?

_Qual a forma de transmitir visualmente a minha ideia?

Atitudes que dizem respeito a Mostrar:

Esclareça suas ideias mais interessantes para as pessoas.

Para arrematar, escolha a estrutura visual mais apropriada e coloque suas ideias no papel ou na lousa.

Cubra todos os porquês: assegure que quem/ o que, quanto, onde e quando fiquem sempre visíveis; deixe que o como e o porquê representem o climax final.

Resumindo as quatro etapas do pensamento visual, segundo Roam (2012):

A importância de compreender as quatro etapas do pensamento visual – olhar, ver, imaginar e mostrar – é deixar claro que o desenho é apenas uma pequena parte do pensamento visual, na verdade trata apenas do final do processo, não do começo.

Roam esclarece que as quatro etapas não acontecem de forma linear ou subsequente: ao mesmo tempo que olhamos, também vemos; se vemos melhor, imaginamos mais…

Além disso, à medida que começamos a mostrar nosso trabalho para as pessoas elas darão início ao seu próprio processo de pensar visualmente, analisando nossos desenhos, observando o que há de interessante neles e imaginando como poderiam manipular e alterar sobre o que estamos mostrando: o debate criativo ganha espaço, fazendo o “loop” do pensamento visual prosseguir indefinidamente (ROAM, 2012).

Para o processo funcionar é necessário praticar. Rabiscos simples sim…ajudam a pensar!



ROAM, D. The back of Napkim. NY: Portfolio, 2013.

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